Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Era Bom, Era...!

 

Entro na sala do 3º ano e deposito as minhas tralhas em cima da mesa do profe, como sempre. Despeço-me da minha colega I. e, nesse exacto reparo em dois anjinhos que pululam por ali, junto a mim.

 

- Que é que vocês querem? Precisam de alguma coisa? - digo eu entre sorrisos.

 

- Ó teacher, temos uma dúvida...queríamos perguntar uma coisa... - respondem-me eles por entre olhares cheios de cumplicidade, salpicados de vergonhas.

 

- Então digam lá...

 

Os anjinhos respiraram fundo, olharam um para o outro e perguntaram:

 

- Ó teacher, é verdade que quando comemoramos as centésima* lição as aulas terminam?

 

Entre risos, respondo-lhes:

 

- Infelizmente, não... festejamos a centésima lição porque é uma forma de comemorarmos tudo o que aprendemos até agora... Mas quem nos dera!!!

 

Santa ingenuidade!

 

 

*Na sexta-feira foi o dia da centésima lição. apesar dos meus colegas não a festejarem, eu faço-o. Lembro-me de quando era estudante adorar os festejos da centésima lição. E opto sempre por proprocionar este prazer aos meus alunos. Como este ano estavam poucos devido aos feriados, levei eu o "farnel".

Fiz um bolinho, levei pipocas e sumo. Os miúdos gostaram tanto, mas tanto que não sobrou nem uma migalha para contar como foi...

Penis? Ooops…!

 

Hoje foi dia de reunião surpresa(!) lá no convento. Por causa disso e a propósito deste post da C.M., lembrei-me de uma cena caricata ocorrida durante as reuniões de avaliação – quer dizer, da reza e meditação em grupo onde se faz tudo menos falar dos alunos - do 2º período no convento.

 

Como é hábito, as avaliações dos alunos são feitas directamente no computador da sala de cada ano. Assim fica logo o trabalho todo organizadinho (se não formos como uma determinada profe que só a meio do 3º período entregou as avaliações aos encarregados de educação e ninguém a chateou por isso) e é só imprimir e entregar quando chegar a altura.

 

Quando acabámos a reunião e antes de irmos almoçar, decidimos ir tratar das avaliações dos alunos para conseguirmos sair mais cedo. Mas o nosso colega de ginástica estava com alguns problemas com as suas avaliações.

 

A mana-mor resolveu então dar um ar de sua graça para resolver o problema. Virou-se para o meu colega, toda derretida e como a dentadura de cavalo à mostra, isto é, toda sorridente e disse-lhe:

 

- Trouxe a pénis? Pode ir comigo à minha sala descarregar a sua pénis… é só enfiar e descarregar… costuma dar…

 

Eu e a minha colega demos um toque de cumplicidade uma à outra no joelho, e mordemos os lábios para não desatarmos a rir perdidamente. Mantivemos o nosso ar solene e selecto e quando nos apanhámos sozinhas caímos na gargalhada sem fim.

 

Descodificando: a pénis, era a PEN onde o meu colega trazia os ficheiros das avaliações e que iria DESCARREGAR no computador da mana-mor.

 

A linguagem tecnológica é muito traiçoeira e quem não tem cuidado com o que diz, dá nisto! Ainda vai parar ao inferno por ter uma língua atrevida… Pimenta na língua da mana-mor!!! Ihihihih!

 

Olha-M'esta...!

 

Estava eu a trabalhar com os meus alunos do 4º ano (quase meia turma) quando chega a a D. J., que é a senhora da limpeza. Como sempre vem espreitar à sala e cumprimentar. O problema é que não percebemos "batatas" do que ela diz. Não tenho a certeza mas ela é cabo-verdiana ou guineense e fala muito mal português, e o pouco que fala é muito atabalhoado.

 

Hoje disse-me "tá boa ticha? e o bebé?". Não percebi nada. Olhei para os miúdos e eles olharam para mim. Perguntei se tinha percebido o que ela disse, e eles responderam que tinham percebido o mesmo que eu.

 

Fiquei ali a matutar no assunto. Será que ela não estava com os copos? Será a minha camisola que me faz parecer grávida? Será que tenho uma barriga tão grande que ela pensou que eu tava grávida? Ou sserá que o meu lipoma está tão saliente que ela julgou que o "altinho" era uma gravidez... no estômago? Pois não sei responder.

 

Decidi que este fim-de-semana vou hibernar para não comer nem beber, gastar as energias armazenadas, dormir até mais não e segunda feira chegar à escola linda e esbelta. Que me dizem?!?

 

Pérolas Infantis... (:LOL:)

 

P: De onde vem a cortiça?

R: Dos cornos da vaca.

(hummm... isto quer dizer que os sapatos que eu trazia hoje calçados são feitos de cornos de vaca?! Acho que me enganaram na sapataria...)

  

P: De que são feitos os botões?

R: De pioneses.

(Iaics...! Eu bem me parecia. Deve ser por isso que tenho dificuldade em apertar o botão das calças... ou será por outro motivo?! Aconselho as senhoras (e os senhores?) com silicone nas mamocas a não usarem nada com botões...)

 

P: De que são feitos os casacos?

R. De papelão.

(Por isso é que quando ando à chuva, os casacos repassam. Como é que eu ainda não tinha percebido?! OMG!)

 

P: Diz uma fonte turística que exista na tua zona.

R: A minha casa.

(Será que a casa se tornou numa fonte porque mete água por todos os lados e se tornou num aquário ou a casa é tão concorrida mas tão concorrida que passa por lá mais gente do que no metro à hora de ponta? Caso a investigar...)

  

P: Quais são as vantagens do turismo?

R: É atrair ferro.

 

P: Quais as desvantagens do turismo?

R: É que não atrai ferro.

(Ora pois, tá-se mesmo a ver: se uma pessoa é turista, passeia muito. Se passeia muito, transpira. Se transpira, lava a roupa (alguns!). Se lava, amachuca. Se amachuca, atrai ferro. Ferro de engomar É esta a vantagem. Se não somos turistas, não precisamos de lavar a roupa nem passar a ferro... ou não? Não atrai ferro, só atrai fedor a suor. Por isso é uma desvantagem!)

 

  

Fonte: Teste do 3º ano de um dos meus colégios. Verdade!

 

O Que É Que O Meu Vizinho Fez Pela Selecção...

O meu vizinho do lado, desde que surgiu a publicidade na televisão, a perguntar o que é que nós faríamos pela selecção que tem andado em bolandas.

 

Cada vez que o spot publicitário passa na TV, ouvimos o nosso vizinho dizer à mulher em altos berros “ ó M. tu é que me podias ajudar a ter uma ideia… tou farto de pensar mas não me sai nada.. Ó Jesus, ajuda-me!”

Eu e o N. olhamos um para o outro e, telepaticamente pensamos o mesmo: o gajo pirou de vez.

 

Um dia destes, encontrou-me a sair de casa e disse-me “ó vezinha, você é que me podia ajudar…”. Eu achei aquilo esquisito mas perguntei-lhe se estava com algum problema.

À medida que íamos descendo as escadas ele confidenciava-me que queria participar, com um vídeo, na tal publicidade de “o que faríamos pela selecção”. Disse-me que estava farto de pensar mas não lhe ocorria nada, em princípio tinha pensado deixar o ar condicionado um mês inteiro ligado sem o desligar mas que se lembrou dos 300 euros de luz pra pagar, que também já tinha pedido à mulher para o ajudar mas ela dizia que não tinha jeito para essas coisas. Eu vi-o tão desanimado que lhe disse que ia pensar nalguma coisa e depois lhe diria.

 

Tenho muita pena dele mas tenho mais coisas em que pensar e, diga-se de passagem, nunca mais me lembrei de tão estranho pedido.

Passados uns dias recebi uma sms dele que dizia “vezinha, não se incumode mais porque já estive uma ideia po tal vidio” (assim tal e qual). Por cortesia respondi-lhe a dizer que também estava farta de pensar (o tanas!) mas que ainda não me tinha lembrado de nada e que depois queria ver o tal vídeo. O que eu fui dizer! Adiante!

 

Encontrei-o novamente, vindo da taberna, e diz-me ele todo contente “ai vezinha que o meu vídeo vai ser um chô, até aposto que vai ganhar… e de certeza que vai ser o mais visto no iutubi”

“A sério? Então deve ter tido uma ideia genial…!” respondi-lhe sorrindo. O homem abanou-me a cabeça, soltou uma gargalhada e disse “depois mostro”.

 

No fim-de-semana, vem a minha vizinha bater-me à porta. Cumprimentos para aqui e para ali e a seguir pergunta-me se eu sabia da tal ideia do marido. É claro que eu não sabia pois ele não me tinha contado. A minha vizinha pediu-me para eu falar com ele a ver se o demovia da tal ideia que ela não me contava porque até tinha vergonha. Eh lá! Mas afinal que iria ele fazer?! Eu lá lhe disse que quando encontrasse o marido, dava-lhe uma palavrinha. Já viram a minha sorte?

 

Estava eu à janela a sacudir uns tapetes, e oiço o meu vizinho perguntar-me “atão vai ficar na janela um bocadinho?” e eu disse que sim até acabar de sacudir os pós. “atão não saia daí que eu vou mostra-lhe o que vou fazer pa publicidade… vai já ver a ideia que tive. Até tá aqui o Meireles – que olha para cima e me acena - pa fazer o filme”.

 

Fiquei debruçada na curiosa à espera do grande espectáculo e da grande ideia que o meu vizinho tinha tido.

Quando ele sai debaixo da varanda e o vejo montado numa mota a "tocar" uma vuvuzela, até me deram três coisinhas más. Eu chamei o N. entre espanto e surpresa. O N. chegou-se ao pé de mim a perguntar quem era a merd@ do puto que andava outra vez com a vuvuzela nas beiças. Eu só respondi: “ não é um puto, é o vizinho do lado… e a vuvuzela não está nas beiças, está… “

 

A foto diz tudo. Agora imaginem o vídeo com som. É que a vuvuzela tocava mesmo. E com força. Grande feijoada!

Dia Mundial Da Criança.

 

Meus brinquedos

De repente
Ao lembrar dos brinquedos queridos
Que ficaram esquecidos
Dentro do armário
Me bate uma saudade
Me bate uma vontade
De voltar no tempo
De voltar ao passado
Mas nada acontece
Nada parece acontecer
E eu choro
Choro como o bebê que fui
E a criança que quero voltar a ser
Não quero crescer!

 

                                                                                                         Clarice Pacheco

Pág. 2/2